sexta-feira, 25 de abril de 2008

Fireworks

Pouco depois de começar a fazer origami comprei o livro "The Origami Handbook" do Rick Beech. O último modelo do livro é um dos meus preferidos. Chama-se Fireworks.
Este modelo usa 12 peças. Como não tenho 12 cores diferentes, costumo usar 6 cores (o papel dos blocos de notas que eu uso tem 7 cores diferentes).

Depois de montado o Fireworks torna-se muito viciante, porque permite rodar o modelo, virando-o para dentro (ou para fora), e o papel oferece uma resistência agradável.
Quando colocado sobre uma mesa o Fireworks apenas tem 2 posições estáveis.

No entanto, com alguma paciência e uma superficie estável para o apoiar, é possivel colocar o Fireworks numa posição muito instável. Ao mínimo toque o Fireworks "salta" para uma das posições estáveis.



video

A outra parte viciante de fazer o FireWorks são as combinações de cores que o modelo permite.
Quando o papel é de duas cores, o tipo de combinações de cores é potenciado pelo facto de se poder colocar a cor no interior das peças, que é visível em parte do modelo, ou no exterior das peças.
Para os Fireworks das fotos seguintes também usei 6 cores, com a particularidade que para cada cor fiz uma peça com a cor para fora e a outra com a cor para dentro.

Este conjunto de 12 peças permite fazer 2 montagens muito distintas. Na primeira parece que uma peça colorida é seguida de uma peça branca (na realidade é apenas uma ilusão de óptica, uma vez que a montagem se faz colocando as duas peças da mesma cor de forma consecutiva).
Nesta montagem não parece haver peças brancas (para este tipo de montagem não é preciso usar papel de 2 cores, só o fiz para mostrar claramente a diferença entre uma montagem e outra). Se olharem com atenção notam que neste Fireworks as "peças" parecem maiores. Na realidade são do mesmo tamanho.
Nas montagens anteriores uma peça era sempre colocada por dentro da anterior (e como consequencia da simetria por fora da seguinte).
Na montagem seguinte todas as peças com a cor por fora foram colocadas por fora das peças com a cor por dentro.
Existem várias outras formas de usar estas duas maneiras de encaixar as peças, para obter efeitos de cor diferentes. Eu tenho preferencia pelas simetrias, mas podem-se fazer combinações de cores que não são simétricas.

Para quem quiser tentar montar um Fireworks, este video do YouTube, tem instruções passo a passo.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Tsuru ou Garça Japonesa

Na mitologia japonesa o Tsuru (ou Garça japonesa) é visto como um símbolo de longevidade e fertilidade.
E diz a lenda que quem fizer 1000 tsurus de papel, consegue o desejo do seu coração.

Devido a esta lenda, uma menina japonesa de 11 anos, chamada Sasaki Sadako, que adoeceu com leucemia, por ter sido exposta à radiação da bomba atómica, decidiu dobrar os 1000 tsurus. Inicialmente o seu desejo era melhorar, mas enquanto dobrava os tsurus passou a desejar paz no mundo. A menina morreu antes de completar a tarefa, mas os seus colegas de escola dobraram os 1000 tsurus. Desde essa altura o tsuru é visto como um símbolo de paz. Existe um monumento em Hiroshima que representa esta menina, com um tsuru na mão.


Por todo o mundo, e em diversas ocasiões, grupos de pessoas juntam-se para dobrar os 1000 tsurus, como manifestação pela paz no mundo.

Podem encontrar neste site um diagrama animado do tsuru, dedicado à memória da Sasaki Sadako.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Sakuradama

Um dos meus modelos preferidos são as Sakuradama. Sakura significa flor de cerejeira. A sakuradama é uma kusudama, feitas com Sakuras.

A sakura é uma flor com 5 pétalas.

Eu conheço 2 maneiras de fazer a Sakuradama. Na que eu gosto mais fazem-se as 12 Sakuras necessárias e depois colam-se.

Para ajudar o processo de montagem pode-se usar clips para manter as flores no lugar devido.

A outra maneira de fazer a Sakuradama usa peças que formam 2 pétalas, que encaixam em 2 flores.

Apesar de não ter percebido todo o esquema de montagem destas peças (está em japonês, eu encontrei o diagrama neste Photobucket) montei uma sakuradama destas.

Eu gosto mais da versão das sakuras simples, não só porque é mais fácil de montar, como custa menos fazer as 60 peças necessárias (podemos montar uma sakura de cada vez sem ficar com a sensação de que ainda não acabámos o trabalho). Além disso acho que fica com melhor aspecto, porque fica mais fechada. Esta versão também permite ter cada sakura de uma cor, sem ter toda da sakuradama da mesma cor.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Papel

O tema de hoje é o papel.
Muita gente me pergunta que papel é se deve usar para o origami.

Eu uso vários tipos de papel, e acho que que há modelos que se fazem melhor com uns papéis do que outros, normalmente é mais importante que a folha de papel seja o mais quadrada possível, do que propriamente o tipo de papel.

Eu costumo usar papel normal de fotocópia, colorido, que pedi para cortarem em quadrados na papelaria. Estes quadrados têm cerca de 14cm de lado (pedi para cortarem a folha de papel A4 ao meio, para tamanho A5, e depois cortarem o lado mais comprido para ficar quadrado). Estes quadrados são grandes o suficiente para experimentar um novo modelo, do qual ainda não se sabe a precisão necessária para as dobras (também é um bom tamanho para principiantes), sem se tornarem demasiado grandes para fazer as dobras.
Do pedaço de papel que sobra é possível obter 2 quadrados de papel. Estes já são mais pequenos, pelo que é necessário ser mais preciso com as dobras. Eu gosto de usar estes quadrados para fazer borboletas ou flores. Também costumo usar este pedaço de papel para fazer sapos, que necessitam de uma folha rectangular, com a proporção 2:1. Mesmo assim ainda sobra um pequeno pedaço de papel que pode ser usado, mas para esse já é preciso muita prática e paciência.
Existem também diagramas desenhados especificamente para aproveitar o pedaço de papel que sobra de transformar uma folha do formato A para um quadrado.
Também uso papel de fotocópia normal, muitas vezes já impresso, e que corto à medida que me interessa.

Outro tipo de papel que se encontra facilmente, apesar de não ter as dimensões ideais é o papel de embrulho. Tal como o papel de fotocópia é necessário cortar à medida. No entanto permite obter modelos muito atractivos, devido à diversidade de cores existentes no mercado e devido ao facto de normalmente este papel ter uma cor ou desenho numa face e outra (ou branco) no verso da folha.
Além do papel de embrulho também é possivel encontrar facilmente papel metalizado. Este papel vinca muito e por vezes rasga ao vincar ou cortar. É necessário ter muito cuidado ao dobrar o modelo e evitar dobras desnecessárias, uma vez que se vão notar no final.

Os blocos de notas (tipo Post It, mas sem cola) também são uma boa fonte de papel. Dependendo da marca, existem blocos com as folhas soltas, ou agrupadas com cola numa das arestas das folhas, com mais ou menos cores, com o quadrado mais ou menos perfeito. Este blocos têm vários tamanhos, mas o normal é entre os 8 e os 10 cm, o que é um bom tamanho para a maior parte dos modelos, em especial para os origami modulares.
Este é o meu papel preferido para fazer origami.
Quando se compra um destes blocos deve-se ter muita atenção às dimensões indicadas, uma vez que 8cm x 9cm pode parecer quadrado à primeira vista, mas quando vamos a dobrar verificamos que não é nada quadrado, e é quase impossível cortar a pequena tira de 1 cm que está a mais. (Já me aconteceu)

Outra fonte acessível de papel são os livros e kits de origami. Existem vários livros de origami à venda nas livrarias que já trazem algumas folhas de papel, normalmente de duas cores.

Também é possível encontrar papel próprio para origami (este papel tem normalmente duas cores e é mais fino que o papel de fotocópia) em algumas papelarias especializadas. Eu considero este papel demasiado caro.

Existem outros papéis que se podem usar, muitas vezes o papel mais adequado depende do modelo. Existem modelos que dão algumas indicações sobre o tipo de papel a usar, se deve ter duas cores para realçar as características do "boneco", se deve ser fino ou forte...

Agora vamos à parte dos papéis que não resultam muito bem.
Comecemos pelo papel de lustro. Este papel, além de normalmente não vir cortado à medida, tem tendência a perder a cor quando vincado.

O papel crepe (e outros do género), devido às "rugas" são difíceis de vincar a direito, além de esticarem ao longo da dobra.

Os papéis mais finos, como o papel de seda são extremamente difíceis de vincar, e rasgam com muita facilidade ao dobrar. No entanto existem algumas técnicas, como colar duas folhas de papel, que lhes dão a resistência adequada para fazer o origami. Se as duas folhas forem de cores diferentes é possível obter modelos muito bonitos.

Não convém usar papel mais grosso ou rijo do que o papel de fotocópia, uma vez que se torna mais difícil de dobrar, e as dobras começam a ficar desviadas pela espessura do papel.